26 de agosto de 2012

Que saudade da chuva!

Mais de um mês que os paulistanos não recebem as gotinhas celestes. O ar da cidade está seco. Umidade do ar está abaixo de 30%. Problemas respiratórios cada vez mais evidentes.

Em memória da chuva que, por enquanto, não vem, eis uma tirinha do Calvim, e o poema "A chuva", do saudoso Arnaldo Antunes.


A chuva derrubou as pontes.
A chuva transbordou os rios.
A chuva molhou os transeuntes.
A chuva encharcou as praças.
A chuva enferrujou as máquinas.
A chuva enfureceu as marés.
A chuva e seu cheiro de terra.
A chuva com sua cabeleira.
A chuva esburacou as pedras.
A chuva alagou a favela.
A chuva de canivetes.
A chuva enxugou a sede.
A chuva anoiteceu de tarde.
A chuva e seu brilho prateado.
A chuva de retas paralelas sobre a terra curva.
A chuva destroçou os guarda-chuvas.
A chuva durou muitos dias.
A chuva apagou o incêndio.
A chuva caiu.
A chuva derramou-se.
A chuva murmurou meu nome.
A chuva ligou o pára-brisa.
A chuva acendeu os faróis.
A chuva tocou a sirene.
A chuva com a sua crina.
A chuva encheu a piscina.
A chuva com as gotas grossas.
A chuva de pingos pretos.
A chuva açoitando as plantas.
A chuva senhora da lama.
A chuva sem pena.
A chuva apenas.
A chuva empenou os móveis.
A chuva amarelou os livros.
A chuva corroeu as cercas.
A chuva e seu baque seco.
A chuva e seu ruído de vidro.
A chuva inchou o brejo.
A chuva pingou pelo teto.
A chuva multiplicando insetos.
A chuva sobre os varais.
A chuva derrubando raios.
A chuva acabou a luz.
A chuva molhou os cigarros.
A chuva mijou no telhado.
A chuva regou o gramado.
A chuva arrepiou os poros.
A chuva fez muitas poças.
A chuva secou ao sol.


Sempre grata,

Cintia.

20 de agosto de 2012

Cintia versão South Park

Brincando na internet, fiz meu "auto retrato" com o avatar do South Park:


Minha mãe, antes de rir, disse que foi um "serviço de desocupado" . Descordei totalmente.

;)

Sempre grata,

Cintia.

12 de agosto de 2012

Feliz dia dos pais!


Este senhor é o meu pai, o bondoso Antonio Jomar Nogueira.


Nascido em 1942, foi o segundo filho da então principal parteira da cidade de Catarina, no sertão cearense. De família simples, que sempre prezou pela boa educação e pelo respeito ao próximo, ajudou a cuidar dos irmãos mais novos, estudou e fez a vida aqui em São Paulo – como todo bom nordestino faz. Trabalhou por mais de vinte anos na Rodhia, em São Bernardo do Campo, e se aposentou quando mudamos para a casa maior (lembra do texto Minha lua amiga, publicado há alguns dias?). Casou tarde – porque a esperança é a última que morre –, em 1984, e já nos anos seguintes nasceram seus melhores frutos: Raquel, em 1985, Débora, em 1987, e eu, em 1988.

Ele sempre fez o melhor por nós. Por mais que fosse difícil a situação, ele sempre deu um jeito de nos ajudar e suprir nossas necessidades – afinal de contas, criar três filhas loiras dos olhos claros e com pouca diferença de idade realmente não é para qualquer um... rs

Agradeço muito ao Pai pelo meu pai. Porque mesmo estando perto ou longe, estamos sempre juntos!

Sempre grata,

Cintia.

4 de agosto de 2012

Poema sinfônico para 100 metrônomos

Lendo um dos artigo do Arrigo Barnabé no site da revista Piauí, encontrei lá no rodapé da página essa belezinha de vídeo:


Para contextualizá-lo, caro leitor, eis o que o Barnabé escreveu:

"E o compositor húngaro Gyorgy Ligeti, que sempre revelou uma fascinação pelos "autômatos", escreveu uma peça para 100 metrônomos [...], com o título de "Poema sinfônico para 100 metrônomos".

É uma peça extremamente interessante, transcendendo o meramente musical, ao aproveitar aspectos expressivos do objeto [metrônomo] em si, ultrapassando as fronteiras entre música e artes plásticas, numa instalação "mecânica".

Vale a pena ver, principalmente se você cultiva a paciência como uma virtude fundamental do ser humano..."


Leia o artigo na íntegra:

http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/questoes-musicais/geral/metronomo

Sempre grata,

Cintia.