30 de julho de 2012

Um lento desaparecer

Uma das partes desta música diz que "pessoas nunca desabam de uma vez; é um lento desaparecer".

Aí a gente começa a lembrar de "brechas" do dia a dia (dia-a-dia, sei lá). Talvez uma decisão errada, uma palavra dita em momento impróprio, aquela brincadeira de mau gosto ou até mesmo aquele simples abraço que deixamos de dar.

Lembra?!

As "brechas" acumulam. E acumulam tanto que quando paramos para analisar, não há mais escape ou algum atalho para recorrer. Porque enquanto dávamos, sem perceber, vazão às "brechas", elas lentamente iam nos consumindo e tirando tudo o que tínhamos.

Por isso, tomemos cuidado: abismo chama outro abismo.


Sempre grata,

Cintia.

25 de julho de 2012

25 de julho - Dia do escritor

Hoje é o dia do escritor! E um dos meus preferidos é o Pedro Bandeira. Sua escrita sempre me chamou atenção, principalmente no livro A Marca de Uma Lágrima, que teve sua primeira publicação pela Editora Moderna em 1985.

Izabel, a protagonista da história, “com o amor no coração e com a morte na alma”, deu um sentido todo especial à página quarenta e seis do livro:

“E o meu amado o que diria
se eu partisse?
O que diria se estes versos
não ouvisse?
O que teria em suas mãos
senão um corpo dessangrado
cheio de carne, de suspiros,
de delírio apaixonado?
Faltaria, porém, o recheio das idéias,
a loucura e a razão,
que transforma um encontro sem graça
em tremenda paixão!
Mas não tema o meu querido
que esse amor desapareça,
pois ele é amado ao mesmo tempo
por um corpo e uma cabeça.
O corpo ele pode beijar, cheirar,
fazer do corpo mulher.
Mas a cabeça o possui, manipula,
e faz dele o que quer!
Haja o que houver, do meu amor
esse garoto foi o rei.
Digam a ele que com corpo e cabeça
eu sempre o amarei.
A marca desta lágrima testemunha
que eu o amei perdidamente.
Em suas mãos depositei a minha vida
e me entreguei completamente.
Assinei com minhas lágrimas
cada verso que lhe dei,
como se fossem confetes
de um carnaval que não brinquei.
Mas a cabeça apaixonada delirou
foi farsante, vigarista, mascarada,
foi amante, entregando-lhe outra amada,
foi covarde que amando nunca amou!”



Parabéns, escritores! São vocês os grandes responsáveis pela existência da palavra leitor.

Sempre grata,

Cintia.

23 de julho de 2012

Minha lua amiga

Criei este texto na noite do dia dezenove de abril, enquanto estava no Facebook. Fiquei com receio em publicá-lo, mas, enfim, ei-lo aqui:


"Quando pequena, morava em apartamento, no andar térreo. Na sala, havia uma janela, que para uma loirinha de três anos era muito grande, pois, mesmo com os braços esticados, meus dedinhos não alcançavam suas extremidades.

Lembro-me de que uma vez fiquei doente e durante quase uma semana tive que acordar de madrugada para tomar remédio. Enquanto minha mãe ia até a cozinha encher a colher com o líquido alaranjado de gosto amargo, eu aguardava silenciosa, de joelhos sobre o assento do sofá, apoiada com os cotovelos na parte de cima do encosto, com as mãozinhas nas minhas rosadas e redondinhas bochechas, observando o brilho da lua.

Ficava admirada ao ver que mesmo sozinha ela não deixava de brilhar.

Poucos anos depois mudei para uma casa grande – e aqui moro desde então. A sala daqui de casa também tem uma janela grande, mas são das janelas (são duas) do meu quarto que o encanto renasce: muitas vezes, antes de dormir, eu me coloco de pé perante elas e fixo meus olhos em direção ao céu e vejo que a mesma lua que contemplava aos três anos continua lá, brilhante e encantadora. E cada vez que a observo, parece que seu brilho ainda se recorda dos mesmos olhos claros que tanto a veneram.

Fico admirada ao ver que mesmo com o passar do tempo, e mesmo sozinha, ela não deixou de brilhar."

Sempre grata,

Cintia.

19 de julho de 2012

Quase dois anos depois...

"Eu voltei, agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar.
Eu voltei pras coisas que eu deixei.
Eu voltei."

O portão, de Roberto Carlos.

Sim. Depois de mais de um ano, retomo minha rotina de publicações. E nada melhor do que retornar com música! E escolhi esta - pois o refrão faz jus ao fato - na interpretação de Luiza Possi*.




Sempre grata,

Cintia.

*vou mencioná-la muito neste blog