23 de julho de 2012

Minha lua amiga

Criei este texto na noite do dia dezenove de abril, enquanto estava no Facebook. Fiquei com receio em publicá-lo, mas, enfim, ei-lo aqui:


"Quando pequena, morava em apartamento, no andar térreo. Na sala, havia uma janela, que para uma loirinha de três anos era muito grande, pois, mesmo com os braços esticados, meus dedinhos não alcançavam suas extremidades.

Lembro-me de que uma vez fiquei doente e durante quase uma semana tive que acordar de madrugada para tomar remédio. Enquanto minha mãe ia até a cozinha encher a colher com o líquido alaranjado de gosto amargo, eu aguardava silenciosa, de joelhos sobre o assento do sofá, apoiada com os cotovelos na parte de cima do encosto, com as mãozinhas nas minhas rosadas e redondinhas bochechas, observando o brilho da lua.

Ficava admirada ao ver que mesmo sozinha ela não deixava de brilhar.

Poucos anos depois mudei para uma casa grande – e aqui moro desde então. A sala daqui de casa também tem uma janela grande, mas são das janelas (são duas) do meu quarto que o encanto renasce: muitas vezes, antes de dormir, eu me coloco de pé perante elas e fixo meus olhos em direção ao céu e vejo que a mesma lua que contemplava aos três anos continua lá, brilhante e encantadora. E cada vez que a observo, parece que seu brilho ainda se recorda dos mesmos olhos claros que tanto a veneram.

Fico admirada ao ver que mesmo com o passar do tempo, e mesmo sozinha, ela não deixou de brilhar."

Sempre grata,

Cintia.

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