27 de março de 2013

Lendo jornal impresso

Enquanto leio as notícias e folheio as páginas do jornal, me apego a dois detalhes: ao som que o folhear das páginas produz e ao cheiro que elas deixam nas pontas dos dedos.

Você não encontra esses detalhes em outros impressos. Esse tipo de som e cheiro são do próprio jornal. Só do jornal. De nenhum outro veículo impresso. É diferente dos de uma revista ou de um folhetim, por exemplo.

As páginas são um pouco grossas. O acabamento das bordas das folhas é irregular. Quando você passa o dedo nelas, dá pra sentir o picotado. E algumas delas – a maioria, muitas vezes – não são coloridas como a de capa.

As letras que compõe os textos e as fotos que o ilustram não brilham. Mas isso é coisa de estética, e acho que não valeria a pena caprichar, visto que no dia seguinte ou no fim da tarde o jornal estará na caixinha de recicláveis – ou nem isso.

Vale ressaltar que os textos que o jornalista, ou um estagiário de jornalismo, teve o trabalho de escrever para caber na diagramação da página não levam seu nome como crédito pela escrita. Depois da linha fina, vem um “Da Redação”.

Fora que em uma página você lê a matéria de manicure que matou o João Felipe e na seguinte vê a propaganda do Carrefour de ovos gigantes de chocolate, com dois meninos segurando um ovo de páscoa, e um deles lembrando muito o João...

Mas como a gente aprende na faculdade, o jornal impresso vive de propaganda. E que ninguém duvide disso. E nem precisa, na verdade...

Ah, coisas que o jornal impresso tem.

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